
Varizes afetam 38% dos brasileiros e reforçam importância da prevenção das doenças vasculares
Campanha Agosto Azul e Vermelho destaca a importância do diagnóstico precoce, enquanto cirurgião vascular explica por que nem toda doença vascular apresenta sintomas visíveis
As doenças vasculares costumam evoluir de forma silenciosa e, muitas vezes, só são descobertas quando já provocaram complicações graves, como tromboses, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), amputações ou aneurismas com risco de ruptura.
É justamente para ampliar o conhecimento da população sobre esses problemas que a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) promove, durante agosto, a campanha Agosto Azul e Vermelho, mês escolhido por reunir o Dia do Cirurgião Vascular, celebrado em 15 de agosto.
A relevância do tema é reforçada pelos números. De acordo com a SBACV, a insuficiência venosa crônica pode atingir até 50% da população, enquanto as varizes afetam aproximadamente 38% dos brasileiros, o equivalente a mais de 57 milhões de pessoas. Além disso, doenças cardiovasculares respondem por cerca de 30% dos óbitos no país.
Segundo o cirurgião vascular Dr. Carlos Alberto Martins Carvalho, Presidente do Departamento de Cirurgia Vascular da APM Santos, um dos principais desafios da especialidade é combater a falsa percepção de que os problemas vasculares só merecem atenção quando as veias ficam aparentes. "O maior mito é acreditar que apenas quem apresenta varizes visíveis precisa procurar um cirurgião vascular. Muitas doenças vasculares evoluem sem sintomas evidentes. Pessoas com histórico familiar, fumantes ou que apresentam fatores de risco devem realizar avaliações preventivas", afirma.
O especialista explica que sinais frequentemente associados ao cansaço podem indicar alterações na circulação: inchaço frequente no final do dia, dor, sensação de peso, queimação ou câimbras nas pernas, alterações na pele com manchas escuras, feridas que demoram a cicatrizar e veias dilatadas e tortuosas. "Quanto mais cedo essas alterações são identificadas, maiores são as chances de um tratamento menos invasivo", destaca.
O médico lembra que hábitos de vida exercem influência direta sobre a saúde vascular. "O tabagismo contribui para a obstrução das artérias. O diabetes prejudica a microcirculação, enquanto o sedentarismo dificulta o retorno venoso. A adoção de hábitos saudáveis reduz significativamente esses riscos", explica.

"O sistema vascular é responsável por levar oxigênio e nutrientes para todos os órgãos. Quando ele funciona bem, todo o corpo se beneficia. O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado fazem toda a diferença na prevenção de complicações e na qualidade de vida", conclui Dr. Carlos Alberto.
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